terça-feira, 30 de setembro de 2014

Trecho de Amor Vampiro

Segue um trecho do conto que eu escrevi. Espero que gostem!


Nessa hora, sem perceber, ela chorava como criança, sem acreditar que o homem que ela já estava amando era um assassino. Seus sonhos estavam desmoronando em sua cabeça. Foi quando ela ouviu uma voz em sua cabeça dizendo: “Peço que se lembre de tudo e de mim”.
Como num toque de mágica ela se lembrou daquele homem que estava na sua frente. Ele apareceu para ela várias vezes enquanto ainda era criança e cuidou de seus machucados depois de ter caído da bicicleta, nas noites em que a febre parecia não ceder. Ele havia dito em uma dessas ocasiões que nunca a abandonaria e ele estava ali, por ela. Seu amor cresceu mais uma centelha, rapidamente Amanda controlou essa emoção.
- Mais você não envelheceu. Como pode?
- Eu... - ele parou e coçou a cabeça como se não soubesse se deveria ou não contar – Amanda – ele pegou a mão dela e com olhar serio acrescentou – Eu sou um vampiro.
Sem acreditar no que estava ouvindo ela ficou parada olhando para o rosto petrificado de Ariel. “Pense bem como eu estaria na sua infância e aqui agora, com a mesma aparência”.
- Eu sei disso, mas é difícil de acreditar que eu tenho o meu próprio Drácula – ela tentou demonstrar humor.
- Duvido que você fosse querer um sanguinário ao seu lado – e com um dedo delicado ele acariciou o rosto dela - Mas eu aceito ser seu, aliás, é o que mais quero desde que me apaixonei por você quando ainda era um bebê.
- Como pode ser?
- Naquela época eu trabalhava no hospital em que você nasceu, fui eu que fiz seu parto. E desde que te vi pela primeira vez me apaixonei.
- Mais que tarado – dizendo isso ela pulou nos braços dele e o beijou profundamente.
- Agora posso alimentar minha doente.
- Claro doutor – ela já estava abrindo a boca para aceitar sua primeira colher de sopa.
Assim que acabou de comer ela foi acometida por um sono e caiu nos braços do seu amor para dormir. Seus sonhos estavam rodeados por seu vampiro e de flores coloridas e alegres. Mas como em todos os outros uma enorme escuridão se apossava de tudo e ela fica sozinha naquela imensidão sem fim. Para onde quer que ela fosse à escuridão a seguia.
De repente, ela acordou assustava e percebeu que permanecia deitada naquele tórax firme de seu amado e suspirou de alívio. Ela ficou ali o observando dormir. Pelo que pôde perceber, todas aquelas coisas de vampiros eram mitos, pois ele estava ali com ela em pleno dia.
- Como você consegue sair durante o dia?
- Por ter mais de mil anos, isso me fortalece para muitas coisas.
- Que bom assim não preciso esperar a noite para te ver.
Ele pegou o queixo dela e a beijou delicadamente.
- Eu não estava mais aguentando ficar longe de você.
- Então não fique e sim fique comigo.
- Mas eu te quero para todo o sempre.
Amanda enrijeceu nos braços dele, por mais que o amasse não queria aquela vida para ela. Jamais viveria com a consciência de que havia matado alguém, por mais que fosse para sua sobrevivência. Não, isso não era para ela.
Percebendo a dor que sua reação tinha causado nele, ela tentou se aproximar novamente dele. Contudo, Ariel saiu da cama de forma abrupta e Amanda não teve tempo de segurá-lo.
- Desculpe, mas essa não é a vida que quero para mim. Eu te amo, não posso viver assim.
- Quer dizer que posso ser uma relação amorosa para você, uma companhia passageira. Mas não posso ser seu amor eterno.
- Não é isso. É que jamais poderei sobreviver sabendo que tenho que matar para isso – lágrimas escorriam por seu rosto – Te imploro, nunca duvide do meu amor.
- Ah! Corta essa.
- Você não pode me impor a sua natureza e esperar que eu aceite numa boa – ela já estava gritando histericamente – Por favor, saia da minha casa.
- Não precisa nem repetir – com isso ele saiu do seu apartamento – Adeus Amanda e só para lhe informar, nós não precisamos matar para sobreviver.

Já tinha passado um mês desde seu último encontro com Ariel, e ela não sabia como encontrá-lo, seu desespero foi crescendo a cada dia que riscava no calendário. Seu trabalho já não estava rendendo mais e não estava mais mantendo uma conversa decente com ninguém, nem com sua melhor amiga, que a todo custo tentava saber o que estava acontecendo.
Algumas vezes ela o encontrou na rua, quando tentava se aproximar ele sumia no meio da multidão. Ela começou a definhar ao passar dos dias, sua tristeza estava esmagando suas entranhas. Era como se um pedaço de sua alma tivesse sido tirada dela.

Ariel não mais dormia e a cada dia que passava estava se sentindo mais sombrio. Já tinha se acostumado tanto com a presença da Amanda que agora se sentia como um viciado em drogas frequentando a reabilitação.
Seu melhor amigo e vampiro de longa data já não estava mais aguentando suas rabugices.
- Penso que o melhor para curar seu mau humor é procurar seu pequeno pedaço de carne e fazer as pazes.
- Não fale assim dela – Ariel parecia uma besta humana, seu olhar transbordava sua fúria – Ela não quer ser como eu – seu olhar agora estava triste.
- Então é só obrigá-la.
- Não – ele rugiu – Ela tem que aceitar ser como eu.
- Então meu amigo, sinto ser eu o proclamador de tais notícias – ele fez uma reverência exagerada – Pelo que percebi, ela é cabeça dura e você um turrão mal humorado e...
- Não fale nada – Ariel já sabia disso, mas seu amor por Amanda era tão grande que preferia morrer a imaginá-la com outro homem.
  

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